RELOGIO

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ESCRITÓRIO CARVALHAES Corretores de Café Ltda.

Santos, 23 de janeiro de 2.015 – ano 82 – número 03 Apesar do estado debilitado dos cafezais brasileiros e da opinião de técnicos e agrônomos apontar para uma safra de café brasileira em 2015 bem abaixo das necessidades brasileiras de exportação e consumo, os operadores em Nova Iorque aproveitaram a chegada de uma frente fria trazendo chuva sobre a Mogiana, sul de Minas Gerais e Cerrado Mineiro, para derrubarem as cotações do café na ICE Futures US. Essa chuva, da qual ainda não se sabe o volume de água que trará para regiões cafeeiras que sofreram dez meses de seca em 2014, chega atrasada e terá de ser sucedida por várias outras durante todo o verão, para que tenhamos uma safra 2015 de arábica dentro do já estimado pelos agrônomos brasileiros. Se forem suficientes, as chuvas deste verão farão com que os frutos que já estão nas árvores cresçam e se desenvolvam. Não farão nascerem novos frutos para a safra 2015. Também depende de um verão chuvoso o crescimento dos ramos onde nascerão os frutos da futura safra 2016. Em artigo e entrevista publicados esta semana pelo site Café Point, o respeitado Professor José Donizeti Alves da UFLA - Universidade Federal de Lavras mostra claramente que nosso parque cafeeiro de arábica está agora em situação pior do que estava nesta mesma época em 2014. Segundo o Prof. Donizeti, ‘não precisa ser um “expert” em cafeicultura para concluir que, se o excelente clima de 2013 não foi suficiente para garantir uma excelente produção em 2014, o que dirá da produção de 2015, que foi precedida pelo péssimo ano climatológico de 2014? Conclusão lógica: a produção de 2015 relativamente à produção de 2014 deverá ter uma queda bem maior que a produção de 2014 relativamente à de 2013’. Agravando a situação para nossa safra de café 2015, os agrônomos do INCAPER – Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural informam que a seca e o forte calor este ano também atingem em cheio a cafeicultura do Espírito Santo, onde a espécie mais produzida é o café conilon. Já está faltando água para irrigar os cafezais em decorrência do baixo nível dos reservatórios. Mais de 50% das lavouras de conilon são irrigadas no Estado, o que representa mais de 150 mil hectares com a tecnologia. A seca no sudeste brasileiro é tão séria, que o governo do Estado de São Paulo deve anunciar até o fim deste mês uma restrição ao uso de água na agricultura e já se fala em racionamento de água em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Nesse quadro desolador, bastou o anúncio da chegada de uma frente fria sobre o sudeste brasileiro para os operadores derrubarem com força as cotações do café em Nova Iorque, que já estavam em um patamar baixo e desencorajador para novos investimentos na cafeicultura. Alguma coisa têm de ser feita para estancar a forte transferência de renda dos cafeicultores brasileiros para grandes grupos internacionais. No mercado físico brasileiro, a queda das cotações na ICE e o recuo do dólar frente ao real levaram os compradores a diminuírem bastante o valor de suas ofertas. Os produtores não aceitaram as novas bases e retiraram seus lotes do mercado. Poucos negócios foram fechados. Até o dia 22, os embarques de janeiro estavam em 1.376.888 sacas de café arábica, mais 125.014 sacas de café conillon somando 1.501.902 sacas de café verde, mais 39.316 sacas de café solúvel, totalizando 1.541.218 sacas embarcadas, contra 1.654.234 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o dia 22 os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro totalizavam 2.175.958 sacas, contra 2.286.498 sacas no mesmo dia do mês anterior. A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 16, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 23, caiu nos contratos para entrega em março próximo, 855 pontos ou US$ 11,31 (R$ 29,20) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 16 a R$ 592,87 por saca e sexta-feira, dia 23, a R$ 554,84 por saca. Hoje nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 250 pontos. No mercado paralisado de hoje, são as seguintes cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2014/2015, condição porta de armazém: 

R$530/560,00 - CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO. R$510/520,00 - FINOS A EXTRAFINOS – MOGIANA E MINAS. R$490/510,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS. R$450/470,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS. R$420/440,00 - RIADOS. R$360/370,00 - RIO. R$360/370,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA. R$340/350,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS. DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 2,5820 PARA COMPRA

BOLETIM SEMANAL Rua do Comércio, 55 - 8º e 9º andares (DESDE 1933) Fone: (13) 2102-5778 Edifício Rubiácea 11010-141 – Santos - São Paulo www.carvalhaes.com E-mail: cafe@carvalhaes.com.br

Estiagem e calor vão afetar produção de café da safra 2016/17

A safra brasileira de café do ciclo 2015/16 nem começou a ser colhida e o setor já volta suas preocupações para a próxima temporada, a 2016/17. A razão é que, pelo segundo ano consecutivo, o clima - quente e seco - castiga as lavouras brasileiras. Segundo o CNC (Conselho Nacional do Café), os cafezais apresentam baixo índice de desenvolvimento para a colheita do próximo ano, reflexo do clima desfavorável.
 
Conforme a entidade, há relatos de que o número de internódios - gemas de crescimento do caule dos cafeeiros para a formação dos grãos da colheita 2016/17 - está em cinco a seis. Se o desenvolvimento fosse o esperado, seriam entre oito e dez. Normalmente, a previsão é que, ao fim de março, existam 15 internódios num cafeeiro, "mas isso será impossível no atual cenário, o que, certamente, impactará negativamente na safra do ano que vem", diz o CNC, em relatório semanal.
 
Ainda é muito cedo para fazer previsões sobre a safra 2016/17, que será colhida a partir de maio do ano que vem, mas o presidente-executivo do CNC, Silas Brasileiro, disse ao Valor que o estoque de passagem será muito "estreito" em 2016, caso se confirme que a próxima safra ficará no mesmo patamar que a 2015/16, estimada preliminarmente entre 40 milhões e 43 milhões de sacas no país.
 
Mês que vem, o CNC deve divulgar um levantamento sobre a safra deste ano. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou em seu primeiro levantamento para a safra 2015/16 um volume de 44,11 milhões a 46,61 milhões de sacas, ante 45,3 milhões do ciclo anterior.
 
Se as chuvas previstas para os próximos dias forem regulares e em bons volumes, a situação das lavouras da safra 2015/16 poderá ser amenizada. Entretanto deverá haver, mesmo assim, quebra na produção, diz José Donizeti Alves, professor do Departamento de Biologia da Ufla (Universidade Federal de Lavras). Ele estima uma safra de café arábica este ano no país cerca de 20% menor - entre 25 milhões e 28 milhões de sacas, ante as 32,3 milhões colhidas em 2014, conforme os dados da Conab.
 
Um dos motivos para a menor produção na atual safra é que, no ano passado, a seca também afetou, além da formação dos grãos, o crescimento dos ramos do cafeeiro - que ocorre no período de janeiro a março -, explica Alves. "Mesmo se tivéssemos chuvas e temperaturas mais amenas, já teríamos queda [em função do menor crescimento dos ramos] de cerca de 4 a 5 milhões de sacas".
 
As chuvas abaixo da média histórica - cerca de 50% menos - no período das floradas (setembro a novembro), principalmente em Minas Gerais e em São Paulo, também afetaram os cafezais, afirma o professor da Ufla. Com o menor volume de chuvas, ocorreram várias pequenas floradas de forma tardia, o que também encurtou o tempo para a frutificação da planta. Assim, não haverá tempo suficiente para que os grãos cresçam mais este ano e fiquem graúdos.
 
Uma outra razão para a quebra na produção cafeeira são as podas feitas no segundo semestre de 2014. Em decorrência da seca, muitos produtores optaram por podar algumas plantas que iriam produzir pouco. Assim, elas não produzirão este ano, observa Alves. Ele estima que cerca de 15% a 18% das lavouras de arábica em Minas Gerais foram podadas.
 
Além da seca, o forte calor está deixando as folhas murchas e queimadas. O calor também leva as folhas a caírem dos cafeeiros.
 
O cafeicultor Marcelo Veneroso, de Santo Antônio de Amparo, no Sul de Minas, estima que sua colheita este ano ficará em torno de 4 mil sacas, ante 5 mil em 2014. Com foco em cafés especiais, ele diz que, com o clima adverso, é difícil calcular quanto da colheita poderá comprometer em vendas futuras. Além disso, ele avalia que, apesar de preços mais altos, o problema é ter custos maiores e volume menor para comercializar.

CNA/FAEMG

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