RELOGIO

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Clima pode mudar cenário da safra 2014/15 do Brasil

As chuvas ainda permanecem irregulares nas principais regiões produtoras de grãos no Brasil. Com isso, o plantio da soja continua atrasado, especialmente na região Centro-Oeste e, a grande preocupação é com o comprometimento da janela ideal de cultivo do milho safrinha. E, por enquanto, as previsões climáticas não indicam para a regularização das precipitações.
Segundo informações de dois dos principais institutos de pesquisas, Somar Meteorologia e Climatempo, entre os dias 16 a 20 de novembro, as chuvas deverão registrar menor volume acumulado, especialmente, entre a região Sul do país, partes de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Situação que, se confirmada, poderá afetar a produtividade das lavouras, principalmente da cultura da soja.
Para essa semana, nos dias 11 a 15 de novembro, as regiões deverão receber precipitações, porém, com volume acumulado baixo, entre 2 a 30 mm. Em contrapartida, as chuvas deverão ficar localizadas entre o Mato Grosso, Goiás, norte de Minas Gerais e Oeste da Bahia. As localidades poderão registrar precipitações de até 150 mm.
Mapas da Somar Meteorologia
Mapa 2
Mapa 3
Mapa 4
Mapas - Climatempo
CT Mapa 1
CT Mapa 2
Impacto nas Lavouras
E é essa irregularidade que tem preocupado os produtores rurais por todo o Brasil e que vem mudando o cenário da temporada 2014/15, uma vez que as chuvas mal distribuídas e de baixo volume inviabilizam o plantio da soja e estreitam cada vez mais a janela para a semeadura da safrinha de milho, segundo explicam engenheiros agrônomos. 
Para Dirceu Gassen, engenheiro do Conselho Científico da Agricultura Sustentável (CCAS), o que se observa agora é uma instabilidade do regime de chuvas que preocupa muito já que, apesar da normalização que deve vir mais adiante pode vir com um déficit. Entretanto, afirma ainda que há uma possibilidade de recuperação dessas lavouras, principalmente aquelas que possuem hábitos médios e não tão precoces. 
"A nova safra vai depender, principalmente, de como será o clima em dezembro, janeiro e fevereiro. Ainda estamos dentro da normalidade, dentro do tempo para plantar", acredita Gassen. No entanto, o engenheiro afirma ainda que, nesse cenário de clima irregular, é preciso que o produtor dedique toda sua atenção e tempo à implantação das lavouras. "É importante que o produtor plante com calma para não perder nada. A principal orientação é de que não se plante mal agora, afinal, há uma perda muito grande do potencial produtivo quando se planta com pressa. É preciso controlar o emocional nesse momento", explica. 
Assim, Dirceu Gassen acredita que a safra 2014/15 do Brasil já está no sinal amarelo e que, portanto, esse potencial produtivo está ameaçado. "Mas ainda é difícil afirmar se isso vai se concretizar e qual a extensão que vai tomar. Além disso, estamos limitando também o potencial da safrinha de milho. Por isso, é momento de fazer bem feito". 
Em algumas regiões como Sapezal, em Mato Grosso, já há algumas áreas que terão de ser replantadas pela terceira vez, depois de o município ter amargado 46 dias sem uma gota de chuva. Com isso, de acordo com o presidente do sindicato rural do município, a produtividade da soja poderia cair para apenas 30 sacas por hectare.  Na região de Canarana, também em MT, até a primeira semana de novembro, em torno de 25% da área destinada à oleaginosa tinha sido cultivada, contra 40% observado em igual período de 2013.
Sinop (MT), importante região produtora do estado, a perspectiva inicial é que haja uma diminuição de até 30% na área semeada com o cereal, de acordo com o presidente do Sindicato Rural, Antônio Galvan. "E dos 70% que serão cultivados, acreditamos que, pelo menos 50% será plantado com baixa tecnologia. E, se o clima for favorável, a estimativa é que a produção fique em 50% do que foi colhido na safra anterior", afirma Galvan.
Já em Assis Chateaubriand (PR), os produtores conseguiram cultivar a soja, entretanto, cerca de 20% a 30% da área semeada no final de setembro sofre com as precipitações esparsas. Consequentemente, os agricultores já estimam uma perda na produtividade das lavouras. O mesmo acontece em Marialva, no noroeste paranaense, onde as chuvas têm sido insuficientes para uma boa germinação das lavouras de soja. Além disso, com esse atraso na semeadura da oleaginosa, os riscos de o milho safrinha serem atingidos pelas geadas aumentam cada vez mais. 
Segundo explica o engenheiro agrônomo Áureo Lantmann, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o plantio da nova safra de soja está, em linhas gerais, dentro do normal, principalmente na região abaixo do Paralelo 24, ou seja, abaixo da cidade de Londrina. Porém, confirma que o atrasado em algumas regiões já compromete severamente a segunda safra de milho. 
Ainda de acordo com Lantmann, apesar disso, as lavouras precisam agora de chuvas regulares para que possam se desenvolver bem e garantir seu potencial produtivo. "Nessa região de abaixo do Paralelo 24, a maior parte dos solos tem a cobertura da palha, o que ajuda na retenção de umidade, mesmo com volumes um pouco menores de chuvas, o que não acontece acima do Paralelo, onde os solos são descobertos", diz. 
Em Balsas, no Maranhão, por exemplo, os agricultores ainda têm dificuldades em semear a soja, uma vez que as chuvas estão desuniformes. Cerca de 25% da área foi plantada até o momento, índice bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, de 50%. Com isso, já espera, portanto, uma redução de 50% na área de milho safrinha no próximo ano. 
Nos links abaixo, confira as entrevistas do engenheiro agrônomo Dirceu Gassen e do agrometeorologista Paulo César Sentelhas:
Fonte: Notícias Agrícolas

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

CNC DIVULGA BALANÇO SEMANAL (03 A 07/11/2014)


BALANÇO SEMANAL — 03 a 07/11/2014

— CNC renova parceria com FGV para elaboração do caderno "Especial Café" na Revista Agroanalysis.

“ESPECIAL CAFÉ” — O Conselho Nacional do Café, mantendo sua tradição de bem informar e orientar seu público sobre os cenários da cafeicultura brasileira e mundial, concretizou, por mais um ano, com apoio da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), sua parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), através da qual será publicada, na Revista Agroanalysis, a oitava edição do caderno “Especial Café”, iniciativa que começou em 2006.

Na edição que será distribuída em dezembro, o presidente executivo do CNC, Silas Brasileiro, fará uma abordagem sobre o atual cenário da produção da cafeicultura nacional e apontará as principais necessidades do setor. Em relação ao inédito panorama climático vivenciado este ano, o pesquisador da Fundação Procafé, José Braz Matiello, abordará os efeitos da prolongada estiagem, das altas temperaturas e dos elevados déficits hídricos nas safras 2014 e futuras, citando, ainda, os cenários que podem ocorrer.

No cenário mercadológico, o diretor executivo da Maros Corretora e analista de mercado parceiro do CNC, Marcus Magalhães, fará um balanço do ano de 2014 e traçará projeções para 2015. O presidente e a assessora técnica da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita e Natália Fernandes, respectivamente, apontarão uma preocupação crescente ao longo das últimas safras, que é a elevação do custo de produção e o que pode ser feito para mitigar essa escalada.

Ainda no contexto de mercado e custos, o analista do conceituado Escritório Carvalhaes, Nelson Carvalhaes, demonstrará um cenário do popular “ganha-ganha”, onde todos os elos da cadeia produtiva do café podem atuar em sinergia e obter lucros na atividade cafeeira, desde a produção até a comercialização final do produto.

O diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), Guilherme Braga, será outro articulista do caderno Especial Café. Ele escreverá a respeito do desempenho dos embarques nacionais ao longo de 2014, analisando volume e receitas e traçando comparativos em relação às temporadas anteriores.
Encerrando o Especial Café, dois fatos comemorativos e importantes para a nossa cafeicultura serão tratados. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Américo Sato, falará a respeito dos 25 anos do Selo de Pureza, iniciativa responsável pelo constante crescimento do consumo no Brasil. Por fim, o provador, degustador e professor certificado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Silvio Leite, comentará as 100 edições do Cup of Excellence – principal concurso de qualidade do mundo, que premia anualmente os melhores cafés de 11 países –, certame realizado pela associada BSCA no Brasil e do qual ele foi um dos idealizadores.

As edições anteriores do caderno Especial Café, da Revista Agroanalysis, produzido pela FGV em parceria com o Conselho Nacional do Café, estão disponíveis em nosso site. Confira em:http://www.cncafe.com.br/site/conteudo.asp?id=44.

MERCADO — A chegada das chuvas em volumes significativos sobre as origens brasileiras estimularam a principal florada da safra 2015/16, resultando em pressão baixista sobre as cotações futuras do café arábica. As consecutivas desvalorizações do real e o crescimento dos estoques nos portos dos países importadores também contribuem para essa tendência. No entanto, sabemos que as perdas causadas pela severa estiagem são irreversíveis.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), depois das chuvas da última semana de outubro, foram observadas pequenas floradas no Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Garça (SP) e Noroeste do Paraná. Na Mogiana Paulista e na Zona da Mata Mineira, havia expectativa de abertura das floradas a partir da primeira semana de novembro. No entanto, para o bom desenvolvimento dessas flores será necessária a alternância entre períodos de chuvas e de sol.

A Somar Meteorologia prevê a ocorrência de precipitações no período de 11 a 15 de novembro em grande parte das áreas agrícolas do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil. Espera-se que os maiores volumes acumulados, de 70 a 100 mm, caiam sobre Vale do Paraíba, entre São Paulo e Rio de Janeiro, além do Sul e Zona da Mata de Minas Gerais.

O vencimento dezembro do Contrato C, negociado na Bolsa de Nova York, foi cotado, ontem, a US$ 1,8375 por libra-peso, acumulando queda de 425 pontos na semana. Na ICE Futures Europe, o vencimento janeiro/2015 encerrou a sessão a US$ 2.007 por tonelada, representando desvalorização de US$ 41 em relação ao fechamento da última sexta-feira.

A Organização Internacional do Café (OIC) informou que as exportações globais do ano safra 2013/14 (outubro a setembro) totalizaram 111,29 milhões de sacas, caindo 1,5% em relação às 113 milhões de sacas exportadas em 2012/13. A queda do volume se deveu principalmente às menores exportações da variedade robusta, que recuaram para 42,26 milhões de sacas ante 43,9 milhões de sacas registradas no ciclo anterior.

Segundo a OIC, a principal explicação para a queda nos embarques de conilon é o encolhimento de 50% nas remessas por parte da Indonésia, origem que vivenciou uma quebra de safra e o aumento de seu consumo doméstico de café no ciclo atual.

Também de acordo com a Organização, as exportações da variedade arábica, por sua vez, permaneceram relativamente estáveis, ao redor de 69 milhões de sacas, já que os maiores volumes embarcados pelo Brasil e pela Colômbia compensaram a oferta reduzida da América Central.

Diante do maior volume exportado pelos principais produtores (Brasil, Colômbia e Vietnã), a Volcafé divulgou que os estoques nos portos dos países consumidores encontram-se no patamar mais elevado dos últimos três anos cafeeiros. Em relação ao ciclo passado, há crescimento de 2 milhões de sacas no volume armazenado, de acordo com apuração da Agência Bloomberg.

No Brasil, o dólar apresentou alta em cinco sessões consecutivas, encerrando a quinta-feira a R$ 2,5607, com ganhos acumulados de 3,3% na comparação com o final da semana anterior. Estatísticas que mostram o fortalecimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos e as incertezas sobre o futuro da política econômica brasileira estimularam essa tendência.

O mercado físico nacional continuou operando com baixa liquidez nos negócios, já que vendedores aguardam melhora nos preços. Os indicadores do Cepea para as variedades arábica e conilon foram cotados, ontem, a R$ 440,54/saca e a R$ 270,26/saca, respectivamente, com variação de -0,5% e 2,8% no acumulado da semana.


Atenciosamente, 

Silas Brasileiro
Presidente Executivo do CNC


CCCMG

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